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A Vóz do Pároco - Outubro 2012.

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SER MISSIONÁRIO: UM OLHAR DE COMPAIXÃO!

Geralmente o olhar humano se volta para onde está seu interesse. Sendo assim, podemos dizer que "olhar e mente" se entrelaçam, completam-se e criam dentro de nós o sentimento de compaixão. Chamamos este olhar, o olhar de Jesus, olhar de compaixão. Compaixão significa literalmente "sofrer com", assumir a dor da outra pessoa, identificar-se com ela, sentir com ela a dor. É a compaixão, e não a pena das pessoas, que leva Jesus afalar e a agir.

No mês de outubro, no caminho do ano litúrgico da Igreja, ouve-se falar muito de missão, evangelização, missionariedade, real idades desafiadoras.

Tempos atrás, quando ouvíamos falar de missão, imediatamente passava na nossa mente a imagem de um grupo de pessoas vestidas de roupas cinzas ou pretas, de aparência séria, que nos davam a impressão de serem realmente pessoas compenetradas, introspectivas. Lembravam-nos que vinham em nome de Deus, e, de fato, era assim mesmo. Este grupo de pessoas abençoava, visitava as famílias, os doentes, reunia a comunidade, cada noite havia uma palestra d i recionada para jovens, famílias: uma verdadeira catequese. Eles também visitavam escolas, fábricas, casas comerciais, hospitais etc. Toda a vila, o bairro e a cidade, geralmente pequena, vivia aquela semana missionária. Terminada toda aquela movimentação, a vida voltava ao seu ritmo normal. Tinha-se a sensação de que Deus tinha visitado o seu povo: "Deus veio visitar o seu povo" (Lc7,16), pois percebia-se algo diferente nas pessoas e elas sentiam e assumiam a necessidade urgente de renovação, de uma nova consciência.

Hoje, com o surgimento das grandes cidades, com o avanço das novas tecnologiasredas redes sociais, com a globalização, pouco resta para a realização dessas formas de missão. A vida urbana, por causa do seu dinamismo, da sua correria empresarial, esvaziou a religião, distanciou as pessoas de Deus. Nós continuamos precisando de De^s e novas formas de viver esta missionariedade precisam ser descobertas. Atualmente as formas e os meios das pessoas se comunicarem são muitíssimas, mas as pessoas ficaram mais distantes uma das outras. As Igrejas perderam muito dos seus tradicionais espaços de convivência, momentos de encontros, de aproximação das pessoas... A Igreja corre o grave risco de ser apenas o lugar do sag rado,

Vivemos novos tempos! Estes, trazem mudanças na forma de viver a fé. A experiência do sagrado tende a caminhar para o mundo do privado. Não tem mais aquele caráter comunitário. Vivemos, portanto, grandes desafios, verdadeiros dilemas. Uma coisa, porém, é certa: não podemos nos acomodar. O tempo das crises e das dúvidas são tempos "férteis" para fazer nascer o novo. O novo pode ser resgatado do passado, porém com uma nova roupagem, com novos métodos e conteúdos. O novo é permitir nascer dentro de nós um novo olhar, o olhar compassivo de Jesus, que tantas vezes aparece nos seus evangelhos, como por exemplo, a cura do empregado do centurião romano (cf, Lc 7,1-10), a libertação da morte do filho da viúva da cidade de Naim (cf. Lc7,11-17).

Creio que a Igreja hoje vive um momento de graça, pois o Espírito Santo, assim como inspirou em outros tempos novas formas de viver a fé e o compromisso evangélico, hoje nos impele pela sua graça, a buscarmos respostas diante destas novas realidades. Não podemos ter medo das mudanças nem recuar diante dos desafios, isso faz parte do processo de adaptação das pessoas aos novos tempos. Para compreender todas estas evoluções, precisamos mudar nossa forma de olhar o mundo e as pessoas: termos um olhar de compaixão, que foi o olhar de Jesus sobre a multidão (cf. Lc7,13). Não vivemos mais na idade da caverna, nas vilas agrícolas e nos campos pastoreando: avançamos para as grandes cidades, para o mundo urbano.

Vivemos novos tempos, tempos não apenas para despertar novos sentimentos, mas para novas metodologias de ação. O anúncio da Palavra de Jesus permanece de geração em geração. Possuir espírito missionário é deixar crescer em nós o espírito compassivo de Jesus. Quanto mais nossos olhos forem capazes de captar/enxergar estas realidades, mais nos comprometeremos com a vida: "Eu vim para que todos tenham vida e a tenham plenamente" (Jo 10,10). O agir missionário nos conduza sermos solidários com os irmãos que são oprimidos nestes novos tempos. A solidariedade diminui distâncias e nos faz viver uma fé mais autêntica. Onde estão os pequenos e os marginalizados à margem da vida, ali deve estar o coração de todo missionário: "Onde está o seu tesou ro, aí estará também o seu coração" (cf. Mt 6,21).

Missionariedade e compaixão caminham juntas. Todos podemos e devemos ser missionários, vivendo o nosso compromisso batismal. Aprendamos de Jesus, o Mestre por excelência, e deixemos que ele cure a nossa surdez e a nossa mudez (cf. Mc 7,31 -37), e abra o nosso coração para acolher os irmãos e as irmãs que mais necessitam de nós. E, como ele, passemos no mundo "fazendo bem todas as coisas" (Mc 7,37). Viver a fé concretamente é comprometer-se, em primeira pessoa, com missão e o seguimento de Jesus: "Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a suacruz e me siga" (Mc 8,34).

Pé. Mário Pizetta • ssp (Pároco)