“ VIGIAI, VIGIAÍ”

A  Igreja inicia, com o 1º domingo do advento, um novo Ano Litúrgico. Jesus nos exorta a sermos vigilantes. A vigilância se alimenta da esperança. Aguardar o Senhor que vem com “cuidado”. Advento é tempo de esperança, tempo no qual se renova em nossos corações a lembrança da primeira vinda do Senhor, com humildade,  renovamos  o desejo da volta de Cristo em glória e majestade.

 São Marcos, o evangelho que predominará as leituras de 2021,  inclui, até três vezes, nas palavras de Jesus o mandamento de “cuidar”. E a terceira vez o faz com uma certa solenidade: «O que vos digo, a todos o digo: ¡cuidai!»  Não é apenas  uma recomendação austera, mas um chamado a viver como filhos da luz e do dia (cf. Mc 13,33-37)

 Vigiar significa colocar em prática as palavras de Jesus, especialmente o mandamento do amor. Significa enfrentar a tentação do egoísmo, que leva o discípulo a convencer-se da inutilidade de fazer o bem. Significa acreditar que vale a pena lutar para construir o Reino, a exemplo de Jesus, num mundo onde a injustiça, a indiferença, e a maldade parecem falar mais alto. Significa estar sempre disposto a perdoar e a se reconciliar, revertendo a espiral da violência que assume proporções sempre maiores.

Deus não chama somente os seus discípulos, mas a todos os homens e mulheres de boa vontade, com uma exortação que nos lembra que a vida não tem só uma dimensão terrena, e que está projetada para um “mais além”. O ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, dotado de liberdade e responsabilidade, capaz de amar, terá que prestar conta de sua vida, de como desenvolveu as capacidades e talentos que de Deus recebeu; se os tem guardado egoistamente, ou se os tem feito frutificar para a glória de Deus e ao serviço dos irmãos.

 Neste tempo de Advento,  a virtude que mais precisamos exercitar é a esperança. O Advento é, por excelência, o tempo de esperança, e a Igreja inteira está chamada a viver na esperança e a chegar a ser um sinal de esperança para o mundo. Preparamo-nos para comemorar o Natal, o início de sua vinda: a Encarnação, o Nascimento, sua passagem pela terra. Porém Jesus não nos abandonou nunca; permanece conosco de diversas maneiras até a consumação dos séculos. Por isto, «com Jesus Cristo sempre nasce e renasce a alegria!» (Papa Francisco).

Uma pergunta importante que podemos nos fazer:  para que serve a vigilância? A pessoa vigilante não se abate, ainda que a realidade seja desesperadora. Aprende a olhar para além da História e contemplá-la na perspectiva de Deus, segundo o ensinamento de Jesus. A vigilância, portanto, faz com que ele não seja esmagado pelo peso da história humana. Pelo contrário, o permite descobrir nela uma lógica inacessível para quem não tem fé.

Pe. Mário Pizetta, ssp

Pároco

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