19 de novembro – Memória de São Roque González, Santo Afonso Rodríguez e São João Del Castillo, presbíteros e mártires

19 de novembro – Memória de São Roque González, Santo Afonso Rodríguez e São João Del Castillo, presbíteros e mártires

Roque Gonzáles de Santa Cruz nasceu em Assunção, Paraguai, em 1576, filho de pais espanhóis, de elevada posição e de autêntico cristianismo. Desde cedo Roque se preocupou com a sorte dos índios, cuja língua dominava. Pouco a pouco e vida afora, passou a conhecer e atingir profundamente a alma guarani. Sentia, porém, mais que tudo a exploração indigna e inumana, de que o índio era alvo. Estudou com os jesuítas. Foi ordenado sacerdote em Assunção, contando apenas 22 anos de idade.

Recém-ordenado, o Pe. Roque já teve sua primeira missão junto aos índios ervateiros – que trabalhavam em verdadeira escravidão – na Serra de Maracaju, ao norte de Assunção. Foi-lhe confiada, junto com o experimentado Pe. Vicente Griffi, uma das tarefas mais difíceis e perigosas: a pacificação dos terríveis, belicosos e valentes guaicurus do Chaco. Em 1611, ganhou do Pe. Torres Bollo, provincial, um quadro de Nossa Senhora da Conceição, que depois se tornou a célebre “conquistadora”, que haveria de acompanhar o Pe. Roque em todas as suas longas e arriscadas empresas missionárias no Paraná e no Uruguai.

Pestes, fomes, doenças, catequese, educação rural e agrícola, com tudo isso Pe. Roque se preocupou e se ocupou. Superava a tudo e a todos com a sua caridade e o seu fervor. No dia 3 de maio de 1626 celebrou a santa missa, a primeira no solo gaúcho brasileiro, batizando a nova fundação de “São Nicolau”.

Em 1628 fundou outras quatro reduções: Candelária, Caaçapá-Mirim, Caaró e Assunção do Ijuí ou Pirapó. Mas o seu trabalho missionário atraía o ódio dos feiticeiros e dos maus índios. E assim, em 15 de novembro de 1628, logo após a santa missa, emissários do soberbo feiticeiro Nheçu, que dominava a região próxima, descarregaram dois violentos golpes de itaiçá (clava de pedra) sobre a cabeça de Roque. Pouco depois assassinaram também o companheiro de Roque, Pe. Afonso Rodríguez. E no dia 17 foi a vez do Pe. João de Castilho.

No dia seguinte, ao procurarem reunir lenha para queimar as vítimas, os indígenas enfurecidos ouviram uma voz: “Matastes a quem tanto vos amava e queria! Matastes, porém, meu corpo apenas, pois minha alma está nos céus. Virão meus filhos castigar-vos, sobretudo pelo fato de haverdes maltratado a imagem da Mãe de Deus (a “Conquistadora”). Voltarei, contudo, através de meus sucessores, para vos ajudar nos muitos trabalhos, que por causa da minha morte vos hão de sobrevir”. Atribuíram essa voz ao coração do Pe. Roque; então o arrancaram e transpassaram. Hoje o coração está conservado num relicário.

Senhor, que a vossa palavra cresça nas terras onde os vossos mártires a semearam e seja multiplicada em frutos de justiça e de paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

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