Mensagem da semana

SANTOS E SANTAS:  OS(AS) BEM AVENTURADOS(AS) DO SILÊNCIO

A festa de Todos os Santos(as) traz em nossa memória todos aqueles homens e mulheres, que ao longo de sua vida, testemunharam Jesus Cristo, aqueles que não tiveram seus nomes exaltados e que viveram o evangelho no silêncio. Nesse dia, a Igreja, celebra a vida de todos esses.  Muitos, às vezes, se perguntam:  o que torna uma criatura bem-aventurada ou santa?

A resposta vem do evangelho proclamado na missa de hoje: as bem-aventuranças. No conhecimento e a vivência delas  está o caminho da santidade. Vejamos um pouco como nossa história foi reconhecendo esta celebração:

A Solenidade de Todos os Santos e Santas ’, vem do século IV. Na Antioquia, celebrava-se uma festa por todos os mártires, no primeiro domingo depois de Pentecostes. No século VI, na mesma data  a  celebração foi introduzida em Roma. Cem anos depois, no dia 13 de maio,  pelo Papa Bonifácio IV, em concomitância com o dia da dedicação do “Panteon” dos deuses romanos,  a Nossa Senhora e a todos os mártires. No ano de 835, essa celebração foi transferida pelo Papa Gregório IV para 1º de novembro.

São Domingos de Gusmão, na hora da morte, dizia a seus frades: “Não choreis! Ser-vos-ei mais útil após a minha morte e ajudar-vos-ei mais eficazmente do que durante a minha vida”. Santa Teresinha confirmava esse ensinamento afirmando: “Passarei meu céu fazendo bem na terra”.

No concílio Vaticano II, através do doc. Lumen Gentium,  lembra: “Pelo fato de os habitantes do Céu estarem unidos mais intimamente com Cristo, consolidam com mais firmeza na santidade toda a Igreja. Eles não deixam de interceder por nós junto ao Pai, apresentando os méritos que alcançaram na terra pelo único mediador de Deus e dos homens, Cristo Jesus. Por seguinte, pela fraterna solicitude deles, a nossa fraqueza recebe o mais valioso auxílio” (LG 49) (§956).

O nosso Catecismo diz: “Na oração, a Igreja peregrina é associada à dos santos, cuja intercessão solicita” (§2692).

Os santos se identificam com as bem-aventuranças que Jesus proclamou no Sermão da Montanha; por isso, esse trecho do Evangelho de São Mateus (5,1ss) é lido nesta Missa. Os santos viveram todas as virtudes e, por isso, são exemplos de como seguir Jesus Cristo. Deus prometeu dar a eterna bem-aventurança aos pobres no espírito, aos mansos, aos que sofrem e aos que têm fome e sede de justiça, aos misericordiosos, aos puros de coração, aos pacíficos, aos perseguidos por causa da justiça e a todos os que recebem o ultraje da calúnia, da maledicência, da ofensa pública e da humilhação.

Cada um de nós é chamado a ser santo. Afirma o Concílio Vaticano II: “Todos os fiéis cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade” (Lg 40). Todos são chamados à santidade: “Deveis ser perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48): “Com o fim de conseguir essa perfeição, façam os fiéis uso das forças recebidas (…) cumprindo em tudo a vontade do Pai, se dediquem inteiramente à glória de Deus e ao serviço do próximo. Assim, a santidade do povo de Deus se expandirá em abundantes frutos, como se demonstra, luminosamente, na história da Igreja pela vida de tantos santos” (LG 40).

 O caminho da perfeição passa pela cruz. Não existe santidade sem renúncia e sem combate espiritual (cf. 2Tm 4). O progresso espiritual da oração, mortificação, vida sacramental, meditação, luta contra si mesmo, é isso que nos leva, gradualmente, a viver na paz e na alegria das bem-aventuranças. Disse São Gregório de Nissa (340): “Aquele que vai subindo jamais cessa de ir progredindo de começo em começo, por começos que não têm fim. Aquele que sobe jamais cessa de desejar aquilo que já conhece” (Hom. in Cant. 8). Olhemos para a Palavra de Deus:

A primeira leitura nos oferece um quadro onde estão situados os nossos santos  e também nos explica as razões pelas quais estão lá: “ vieram da  grande tribulação. Lavaram e alvejaram suas vestes no Sangue do Cordeiro”(Ap 7,2-4.9-14)

O evangelho, já acenado na reflexão, apresenta-nos as bem-aventuranças, o programa de todos que buscam  ser santos(cf. Mt 5,1-12ª).

Na segunda leitura, João nos lembra que grande o é o amor que devemos a Deus, por Ele nos considerar seus filhos(cf. 1Jo 3,1-3)

Os santos e santas são criaturas humanas que permitiram que Deus agisse nelas. São extraordinárias porque souberam fazer um verdadeiro discernimento.

Pe. Mário Pizetta
Pároco

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