“Não tenha medo”

A  liturgia deste 12º domingo do tempo comum, ano a, jesus mostra aos discípulos a importância de serem fortes e nada temerem, por isso que no evangelho por duas vezes ele afirma: “Não tenhais medo”, portanto,  nos estimula a sermos inteligentes,  fortes, perseverantes no caminho da evangelização hoje. Embora, tristemente, nossa sociedade vai perdendo a consciência de Deus. Outro aspecto da celebração de hoje é  que não podemos ter medo das dificuldades, das perseguições, dos desafios. O caminho da fé é o que nos mantêm fortes e confiantes.  Vejamos as leituras:

 A primeira leitura, do livro de Jeremias, encontramos dois quadros: No primeiro momento  o profeta descreve o clima existente ao seu redor: injurias, denúncias falsas, perseguições, infâmias, vigilância excessiva sobre tudo o que ele faz. Jeremias sofre com isto. O sofrimento faz parte da vida dos profetas e dos seguidores de Jesus. No segundo momento,  o profeta responde porque ele suporta tudo isto: reconhece a presença do Senhor ao seu lado. De fato, quando estamos com Deus somos mais fortes (cf. Jer 20,10-13). Assim acontece  com todo aquele que se coloca para servir o Senhor, encontrará críticas, indiferenças, os mais diferentes tipos de  perseguições. Não será um caminho de aplausos. Tudo suporta por amor aquele que o chamou e o amou. O profeta é um amado de Deus.

No evangelho encontramos também dois momentos na narrativa: Jesus vai dizer aos discípulos para que não tenham medo, aliás, por duas vezes alertará os discípulos. “Não tenham medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma”. Aqui nos lembramos de um dom do Espirito Santo: O santo Temor de Deus. Medo, não. Temor, sim. O medo é falta de fé, o temor é sabedoria.  Hoje vivemos um tempo não de perseguições diretas, mas indiretas, mais do que em outras épocas. A Igreja não pode se calar,  precisa denunciar todos os sistemas que matam o corpo. Corpo aqui são  vidas. Vemos que o projeto de evangelizar nos dias de hoje encontra muita resistência.  Um segundo aspecto da leitura do evangelho, Jesus vem  nos alertar sobre a necessidade  de sermos firmes no caminho de nossa vivência cristã.  Ao confessar o nome de Jesus, estaremos sendo reconhecidos diante do Pai, e aqueles que não confessarem  não serão reconhecidos diante do Pai (cf. Mt 10,26-33). O anúncio do evangelho não pode conhecer limites e deve ser pregado  a todos o povos, todos os recantos humanos. Todos os recursos das novas tecnologias precisam ser utilizados adequadamente. Um exemplo de hoje “as Lives”, que cresceram com a pandemia.

A segunda leitura, de Paulo  aos Romanos, vai nos lembrar que o pecado entrou no mundo por  meio de Adão e em consequência todos os homens pecaram e com o pecado veio  a morte. Cristo, o novo Adão,  vem trazer reconciliação, o perdão e a misericórdia. Somos salvos pela graça de Deus(cf. Rm 5,12-15).  Aplicação para os nossos  dias:

a. Penso que nós católicos precisamos ser mais ousados, abandonarmos um pouco mais o nosso modo fácil de viver a fé. Resgatar dentro de nós o espírito profético. Precisamos purificar a fé. Uma forma de sermos mais profetas é  marcar mais presença junto aos gestores públicos. O agir cristão não é um agir político-partidário. Somos defensores da vida. Talvez tenhamos que escutar novamente de Jesus, fazer a experiência de Pedro:  “avance para aguas mais profundas”. Sem o encontro com as multidões mais pobres, humildes e desfavorecidas não percebemos as exigências do evangelho.  Sem profundidade na vivência da religião não somos capazes de escutar os clamores do povo e fazer crescer dentro de nós o espirito de compaixão.

Um último aspecto que gostaria de partilhar com vocês é o  tema das migrações que a Igreja lembra hoje. Vamos recordar que grande parte de todos nós de certa forma somos migrantes. Abandonamos nossas origens e fomos para os grandes centros urbanos. A migração é uma  realidade que toca  milhões de pessoas todos os anos. Alguns por necessidade de trabalho, de estudo, outros porque foram expulsos de suas terras, devido a força da produção. Os motivos são os mais diversos. A migração é um fenômeno do mundo globalizado. Estejamos certos que muitas consequências virão forçadas pela pandemia.

Pe. Mário Pizetta, ssp
Pároco

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