Poucas mãos, braços e pés

POUCAS MÃOS, BRAÇOS  E PÉS

A liturgia deste domingo, o 11º do Tempo Comum, Mateus nos relata que Jesus vendo as multidões, cansadas e abatidas compadeceu-se,  e afirmou: “ A messe é grande, mas os operários são poucos”. Diria, tenho a impressão, sem ser pessimista, um pouco da imagem de  nosso mundo. Escuto no ar perguntas fortes:  Hoje, pra que mundo estamos indo?

Muitas lideranças governam não pelos projetos que possuem, pelas ideias que apresentam, pela capacidade de agregar, mas dominam pela força, pelo medo. Uma multidão sem horizonte, sem rumo, torna-se uma sociedade exploratória, onde sobrevivem os mais fortes e poderosos. Vejamos as leituras:

Na primeira leitura, Moises escuta do Senhor algumas orientações que deve orientar o povo: “Recordar-se da história, como  tudo começou: a libertação dos egípcios, os caminhos difíceis do deserto, a mão poderosa de seu braço. Das promessas feitas: Se ouvirem as palavras, guardarem a aliança encontrarão proteção: “sereis um reino de sacerdotes e uma nação Santa”. Vemos que o Senhor é o grande Líder, o  grande Pastor que não falha, porque orienta com segurança, busca o bem de todos. Todo o grupo humano precisa de orientações claras, de leis objetivas, uma sociedade sem rumos caminha para a ruína.

Olhando para o nosso mundo, vemos hoje quanta diversidade, desde as questões mais simples até as mais complexas. Quem segue as orientações de Deus encontrará segurança. É feliz quem anda em seus caminhos (cf. Ex 19,2-6).

No evangelho, identificamos  Jesus como o verdadeiro Pastor: Sabe ler, interpretar  e compreender  os sentimentos que estão dentro do coração do seu povo. Jesus se compadece, ou seja,  tem compaixão, vê uma multidão confusa, sem rumo,  e faz uma invocação: “pedi ao Senhor da messe que envie bons operários”. Bons operários quer dizer pessoas que não pensem apenas em si mesmo, mas trabalhem para o bem dos outros. Jesus observa que faltam pessoas para se colocarem ao lado do povo. Depois,  chama os discípulos e os envia para expulsarem os maus espíritos e curar todo tipo de doença. A nós cabe hoje nos perguntar: quais são  os espíritos maus, as enfermidades que devemos curar. Uma última recomendação: “ide, antes as ovelhas perdidas”(cf. Mt 9,36-10,8)

Na segunda leitura, Paulo recorda que Jesus  vem ao encontro do homem, e não guarda para si a vida, mas vai ao encontro do outro. Jesus, o pastor convicto (cf. Rm 5,6-11)

Não sei se vocês concordam, mas tenho observado, ao longo dos meus anos, que o ser humano, cada vez mais, vai se concentrando sobre si mesmo. Na sociedade cresce o individualismo, não pensamos mais no coletivo. Nosso olhar para o outro, quase não existe mais. Ficamos insensíveis. O individualismo nos afasta de Deus, porque nos distancia do irmão. Lições que podemos tirar:

a. Uma pergunta que cada um pode fazer a mim mesmo: estou disposto a colaborar para tornar o mundo melhor. Dizem que o mundo muda, quando mudamos dentro de nós. Outra coisa que precisamos: Leis claras, objetivas para que nosso povo  caminhe, encontre segurança.

b. Os exemplos de liderança que vemos nos dias de hoje não respondem as exigências das pessoas. Fazemos nossas escolhas não em função do bem comum, mas de interesses particulares. Muitas vezes nossas lideranças precisam fazer conchaves para se manter no poder. Os conchaves são favores que custam caro na busca de uma  sociedade livre e humanitária. Faltam referencias e exemplos.

c. Um terceiro e último questionamento: Será que nos tornamos por demais individualistas, perdemos o sentido do coletivo? Não aprendemos nada da pandemia? Ela não foi além de uma simples gripe? Não fomos capazes de se solidarizarmos pelos irmãos.

    O caminho que conduz a morte é a estrada do individualismo, enquanto que o caminho que leva a vida é o caminho do respeito, do amor, cada um construindo a sua individualidade.

Pe. Mário Pizetta, ssp
Pároco

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