Santíssima trindade: a festa da unidade na comunidade perfeita

A Igreja celebra hoje a solenidade  da Santíssima Trindade, a festa da Unidade, da Comunidade perfeita: Unida, carregada de Amor, vive em Comunhão  e  Paz. São expressões desta comunidade.  A unidade: um só Deus, em três Pessoas; Comunidade: a Comunhão entre Eles; Amor: Deus amou tanto o mundo que enviou seu filho, não para condenar, mas para salvar; Paz:  é o grande dom da unidade na comunidade perfeita da Trindade. Vemos portanto, Deus Pai gera o Filho,  e nós deixa o Espirito Santo. A festa da Santíssima Trindade não é para buscar explicações, esta é uma festa de adoração e contemplação. Admirar o rosto de um Deus criador, um Deus que manifesta amor, misericórdia, um Deus fiel que caminha com o que Ele cria. A Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. Olhemos ao nosso redor e nele encontraremos os sinais da Trindade. Cada gesto de amor que cada um de nós pratica torna-se revelador da trindade. Deus não criou nada de errado, as desgraças que vemos é culpa humana que não soube dobrar-se diante de Deus.  Vejamos como as leituras nos ajudam a compreender esta solenidade.

Na primeira leitura, o livro do Êxodo, vemos que Moisés vai ao monte, o Senhor vem ao encontro de Moises. Ao sentir a presença de Deus  grita: “ Senhor, Senhor,  Deus de misericórdia, clemente, paciente, rico em bondade e fiel”. Misericórdia, clemência, paciência, bondade e fidelidade são atributos  que Moisés reconhece em Deus. Moisés se curva e pede ao Senhor que caminhe com seu povo, apesar de ser de cabeça dura”. Curvar-se é um gesto de respeito, de reconhecimento, gesto de humildade, por que nos joelhamos diante do altar?  porque reconhecemos a grandeza de Deus, somos pequenos, frágeis, limitados demais para compreender quem é Deus (cf. Ex 34,4-68.9).

No evangelho, João nos mostra quanto grande é o amor do Senhor, que enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo mas para salvá-lo. O amor do Pai encontra manifestação no amor de Jesus. “Eu  e o Pai somos um só”.  Nos faz recordar as palavras da oração sacerdotal de Jesus: “Pai, eu não quero, que se perca, nenhum daqueles que me deste, eles são teus, guarda-os no teu nome, consagra-os  com a verdade, a verdade é a tua palavra” (cf. Jo 17, a oração sacerdotal de Jesus) (cf. Jo 3,16-18).

Na segunda leitura, Paulo  exorta a comunidade de Corinto, para que busquem aperfeiçoar-se,  cultivando a concórdia, vivendo em paz. Paulo elenca valores insubstituíveis: busca de aperfeiçoamento, o ser humano precisa voltar-se mais sobre si mesmo. Uma das lições da pandemia mostrou que nós  brasileiros precisamos investir mais nas pesquisas cientificas, valorizar mais os estudiosos, os pesquisadores. Sem provocar: façamos uma comparação entre o que recebe um biólogo, um pesquisador e um jogador de futebol, sem comentários. Paulo fala da concórdia, como ela se torna tão válida hoje: Capacidade de reconhecer a diversidade e buscar nela a paz, não o ódio, a eliminação do outro ( cf. 2 Cor 13,11-13). Implicações para nossa vida:

a. Hoje é o dia de recordar e renovar o nosso batismo. Dia em que fomos levados a pia batismal pelos nossos pais e padrinhos. Lá escutamos: “Eu te batizo, em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo. Recordamos na missa a saudação de acolhida do sacerdote, “Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai, e a comunhão do Espirito Santo”.

b. Um exercício que podemos fazer nesta semana: termos um olhar mais atencioso com todos aqueles que praticam o bem no silêncio: no coração que se doa, na mão que se abre para ser solidário, naqueles que procuram semear a  paz.

c. De Paulo, vem um apelo muito forte para os nossos dias: buscar o aperfeiçoamento, cultivar a concórdia, a paz. Vamos superar este momento tão difícil que estamos vivendo no Brasil, uma dupla pandemia, da saúde e da política, este ambiente de ódio que foi criado entre as diversidades.

Gostaria de terminar minha reflexão com as palavras de Bento XVI falando sobre a Trindade: “ O Pai doa tudo ao Filho; o Filho recebe tudo do Pai, com reconhecimento; e o Espirito Santo é como que o fruto deste amor recíproco do Pai e do Filho”

Pe. Mário Pizetta, ssp
Pároco

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