Hosana, filho de Davi, bendito aquele que vem em nome do Senhor

Com o domingo de Ramos restam poucos dias para o fim de nossa caminhada quaresmal. Durante quarenta dias, caminhamos nos preparando para reviver com Jesus esta semana, ápice, de nossa fé. Veremos que Jesus entra na cidade e o povo  agita-se,  aclamando-o. A liturgia deste domingo convida-nos a contemplar esse Deus,  que, por amor, desceu ao nosso encontro, partilhou a nossa humanidade, fez-se servo dos homens. As leituras nos ajudam a compreender esta realidade, vejamos:

A exortação  da bênção dos ramos  descreve a entrada: montado num jumentinho, Jesus entra em Jerusalém. O povo o acolhe, estende mantos, sacode ramos de oliveira, palmas, e cantam:” Hosana ao filho de Davi, bendito o que vem em nome do Senhor”.

A primeira leitura, o profeta vislumbra e personifica  Jesus. Relembra que a ele foram dadas palavras  que levassem conforto às pessoas. O profeta lembra que este servo não reagiria a qualquer atitude de agressão, pelo contrário, ofereceria sua face  para que batessem, seu rosto para que arrancassem a barba e suas costas para baterem, não se esquivaria das dificuldades. Apesar do sofrimento e da perseguição, o servo  confiou em Deus e concretizou, com teimosa fidelidade, os projetos de Deus (cf. Is 50,4-7).Trazendo para os nossos dias esta leitura vemos nem sempre temos em nossa boca palavras de consolo, muitas vezes não sabemos calar, e nossas palavras machucam, ofendem. Jesus tem palavras de conforto. Também somos poucos propensos a suportar as contrariedades, gostamos que nossas opiniões prevaleçam.

No  evangelho, proclamamos a narrativa da paixão que o evangelista Mateus escreve: Jesus está no tribunal e mantem silêncio a toda e qualquer pergunta ou acusação que lhes é feita. Também escuta de um povo alienado e ideologizado  o  grito: “seja crucificado”, “seja crucificado”, como fazemos hoje  em favor deste ou contra aquele, batendo panelas.  Gritamos como massa, impulsionados pela mídia.  Talvez,  muitos que ali gritavam  poderiam ter se aproveitado das boas ações de Jesus. Também mandam  Jesus para ser flagelado, ser coroado de espinhos, e  como um rei fracassado,  colocam sobre seus ombros uma haste de madeira, pedaço da cruz e o obrigam a carregar. Assim será o calvário de Jesus. No alto da cruz tiram gozação de Jesus: “Salve rei dos Judeus”, “salvou a outros, por que não salva a si mesmo!”. Diante dos últimos suspiros de Jesus, os algozes pensam que ele chama por Elias. No entanto Jesus fecha os olhos e o povo comenta: “ Ele era mesmo o  Filho de Deus”, era a grande verdade. Tinham condenado um inocente (cf. Mt 27,11- 54). Tudo devia acontecer para que se cumprissem as escrituras. Hoje, alimentados pelas nossas vaidades, continuamos a crucificar pessoas que buscam melhorar a vida das pessoas. Dá impressão que não gostamos das pessoas corretas. A  força do justos está no Senhor.

A segunda leitura, Paulo aos Filipenses, nos mostra quanto  grande é o exemplo de Cristo: “desfez-se de sua condição divina e assumiu a condição humana”. Não se vestiu de orgulho e nem mesmo de arrogância, tudo para ser obediente ao Pai como gesto de amor a cada um de nós. (cf. Fl 2,6-11). Jesus nos dá o exemplo para que também nós, como seus discípulos, aprendamos a trilhar o caminho da vida.

Caro irmãos e irmãs, nossa cruz neste momento é o Corona vírus. Um vírus invisível e silencioso que está tirando a vida de muitas pessoas e nos obrigando a mudar nossos hábitos. Neste momento queremos lembrar sobretudo  dos profissionais da saúde que estão sendo expostos para salvar vidas. Também pedir perdão a Deus, por aqueles que não valorizam a vida, que pensam que a economia, embora importante, esteja acima da vida.

Neste domingo, queremos não apenas reviver a paixão e morte de Jesus, mas compreender que todos nós podemos fazer de nossa vida um  dom e serviço, a fim de libertar os homens de tudo aquilo que gera egoísmo e escravidão. Para os que creem, a cruz não é um sinal de fracasso, mas uma manifestação de  quanto grande é amor  de Deus, amor que não guarda nada para si, mas que se faz dom para os outros.

Pe. Mário Pizetta, ssp
Pároco

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